A educação
física se anuncia como uma área que desenvolve não apenas habilidades motoras,
mas também o raciocínio, a atenção e a capacidade de decisão, para ficarmos em
apenas alguns aspectos psicomotores. No entanto, é facilmente constatável que
na organização e condução das aulas escolares e aulas-treinos das diversas
modalidades esportivas em nível de iniciação pouco ou nada é contemplado neste
sentido.
Muitas vezes,
planos de aula dos professores mais cuidadosos e dedicados até abordam em seus objetivos
algo como: desenvolver a cognição ou aprimorar a capacidade de concentração dos
alunos. No entanto, o que se verifica é que, na prática, os exercícios e tarefas
propostos deixam muito pouco espaço para que as crianças e adolescentes solucionem
problemas a partir de desafios ou possam optar por esta ou aquela solução
diante de uma proposta que realmente os leve a pensar na saída mais adequada.
Geralmente, o
que se vê são exercícios ou tarefas com as soluções predeterminadas e sem
possibilidade de transgressão. Não é raro o professor até mesmo inibir reações
diferentes daquelas esperadas por ele e restringir cada vez, à medida que
percebe a flexibilização favorável a uma possível “desordem”, a possibilidade
de haver mudanças no que estava previamente estabelecido por parte do aluno.
A organização
em colunas numerosas ou grandes grupos, em que os alunos se alternam para a
realização de única ação, levam à desatenção, ao desinteresse e ao abandono espontâneo
da aula. Quanto mais tempo o aluno fica sem realizar uma ação e quanto menos
ele for responsável pela dinâmica do exercício menos ele é levado a raciocinar,
a manter um estado mínimo de concentração e elevar seu sentido de
responsabilidade diante de uma atividade coletiva.
A educação física
precisa colocar em prática seu discurso, senão será cada vez mais desacreditada
e desvalorizada. Ela é uma área essencialmente prática, se não cumprir com suas
proposições na quadra, será, a cada ano letivo, menos reconhecida como disciplina
integrada à educação escolar e jamais compreendida com a mesma importância das
demais.
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